Durante muitos séculos o Tarot foi usado para ler “a boa fortuna”, isto é, para adivinhar o futuro. Essa abordagem é anti-terapêutica. Se definimos o futuro ou destino de uma pessoa independentemente de seu grau de consciência, de suas ações e omissões estamos desresponsabilizando-a pela sua vida e infantilizando-a.
O Tarot Terapêutico e o Tarot Divinatório são abordagens excludentes.
Na segunda metade do século XX se popularizou o “Tarot de Aconselhamento” que se deslindando do divinatório, do qual surgiu, procura ajudar a resolver os problemas e a avançar até os objetivos que a pessoa tem, geralmente nas áreas de saúde, dinheiro, trabalho e amor.

Infelizmente o ser humano está cada vez mais desconectado de si mesmo. Seus objetivos podem não ter nada a ver com ele. Em muitos casos são masturbações mentais, aspirações do ego para conseguir a aprovação da família, da sociedade e/ou alcançar aquele modelo de vida ou status ao qual os meios de comunicação atribuem a felicidade. Ainda muitos dos problemas que aparecem são justamente um indicador de que a pessoa está tentando trilhar um caminho que não é o seu. Por isso uma leitura baseada em perguntas sobre assuntos concretos pode ficar num nível muito superficial e periférico.
Eu desenvolvi o Tarot Terapêutico a partir de 1987, depois de 7 anos trabalhando com uma abordagem convencional até perceber que desse jeito não ajudava as pessoas a crescer.
DEFINIÇÃO DO TAROT TERAPÊUTICO:
O TAROT TERAPÊUTICO É UM INSTRUMENTO DE AUTOCONHECIMENTO QUE TRABALHA AJUDANDO A PESSOA:
1º A SINTONIZAR-SE COM A SUA ESSÊNCIA
2º A IDENTIFICAR E DESATIVAR DE BLOQUEIOS, MEDOS E OUTROS PADRÕES DE COMPORTAMENTO QUE DIFICULTAM A SUA REALIZAÇÃO PLENA.
É claro, que numa Leitura Terapêutica quando proporcionamos um método de trabalho estamos dando conselhos e orientações que sugerem o que a pessoa pode fazer ou deixar de fazer para tornar-se mais ela mesma (que para isso estamos aqui) desenvolvendo seus talentos e dissolvendo seus padrões neuróticos. Assim o Tarot Terapêutico tem um quê de Tarot de Aconselhamento, mas o Tarot de Aconselhamento pode não ter nada de terapêutico.
Uma boa maneira de entender o Tarot Terapêutico é compará-lo com o Divinatório e o de aconselhamento.
Vejamos vários pontos:
OBJETIVO: Se o objetivo do Tarot Divinatório é conhecer o futuro e o do Tarot de Aconselhamento é ajudar a pessoa a resolver determinados assuntos o do Tarot Terapêutico é ajudá-la a ser mais ela mesma.
CENTRO: Se o centro do Tarot Divinatório são os acontecimentos futuros e o do Tarot de Aconselhamento os problemas que traz o consultante o centro do Tarot Terapêutico é o indivíduo que vive esses problemas.
PROCEDIMENTO: Se o Tarot de Aconselhamento e Tarot de Aconselhamento trabalham com perguntas o Tarot Terapêutico não precisa delas. Quando a pessoa depois de um minuto e meio de conexão com a sua respiração, mas calma e centrada, sem pensar em assuntos concretos, passa sua energia para as cartas desde seu coração e vários chacras, como podem ver no vídeo “Como magnetizar as cartas” essa energia chega desde as profundidades de seu ser, tanto de sua sombra como de sua essência, desde um plano que geralmente a mente, e muito menos o ego, não consegue atingir. Assim as cartas energizadas desde esse nível vão na raiz dos questionamentos, dos conflitos e dos anseios mais profundos.
Ainda depois de uma Leitura Terapêutica quando perguntamos à pessoa se tem alguma pergunta em 99% dos casos não tem nenhuma. As que realmente tinham a ver com ela foram respondidas sem necessidade de serem formuladas e as que não, foram descartadas.
DESTINO: Para o Tarot Divinatório o destino está escrito “Maktub”, não depende de nossa consciência de maneira que acabamos sendo uns perfeitos irresponsáveis pela nossa vida. Para o Tarot de Aconselhamento o destino depende de nossas decisões, isto é, da consciência com que as tomamos, somos, então, responsáveis pelas nossas decisões. Para o Tarot Terapêutico somos responsáveis pelas nossas decisões e também pelas situações que atraímos, pois atraímos o que precisamos para crescer, como fala o 4ª Princípio do Tarot Terapêutico. Se para avançar em nosso caminho evolutivo precisamos tomar consciência de alguma coisa interna, por exemplo, um padrão neurótico, estaremos atraindo sistematicamente situações que nos empurram a trabalhar as dificuldades que temos para tomar consciência desse padrão. Ou em palavras do mestre Yung: “O destino é o retorno da inconsciencia”.

OS AMANTES NA VISÃO TERAPÊUTICA
Tradicionalmente é envolvimento afetivo, casamento, livre arbítrio, escolha. No Tarot Terapêutico ilustra o Princípio da Polaridade criando o Universo. A interação amorosa dos Princípios Feminino e Masculino dando lugar à Vida. Essa afirmação na Idade Média ou até no Renascimento era uma heresia, que chocava com a versão de que um deus masculino criou o mundo do nada. Por isso Crowley sugere que o casal foi substituído por um homem entre duas mulheres, símbolo da escolha entre duas alternativas.
Hoje podemos dizer que antes de qualquer manifestação concreta, a energia primordial ou Princípio Criador tem que se polarizar dando lugar aos Opostos, de cuja interação surge o Universo. Não é possível um deus criador masculino, nem feminino.
Vemos também aqui a ideia de União. As polaridades começam a complementar-se. A força que leva à união procede da separação e vice-versa. Este Arcano representa a Análise dando lugar à Síntese, o Solve ao Coagula alquímicos. Em termos humanos, temos vários graus de união. O androginato interno ou fusão das polaridades internas, o androginato externo, em que seres completos se integram e a Fusão com a Totalidade ou Iluminação.
Também temos três tipos de amor. O primeiro, representado por Cupido, é o amor erótico, inconsciente, romântico e com forte carga projetiva e possessiva. Quem vive nesse nível de amor se apaixona por aquela sua área interna que não desenvolveu na sua vida e que quer viver através do outro. Assim, a pessoa se apaixona por uma ilusão e espera que o outro a faça feliz. Quando se sente correspondida, exalta-se, como se tivesse recuperado uma parte de si mesma. Do êxtase passa à frustração quando a realidade lhe mostra que seu amado ou amada não é a personificação de suas fantasias. Então, culpa ao amado e sai à procura de outro príncipe ou princesa encantado(a). A gente se apaixona por quem precisamos para nos perceber tal como realmente somos. “Eu te quero para mim” seria uma expressão de amor erótico.
O amor, também erótico, só que consciente, manifesta-se no casal imperial, dois indivíduos maduros, completos e autônomos que podem ter um relacionamento de crescimento, no qual cada um vê e respeita o outro. Existem polarização e atração sexual que dinamizam o relacionamento, no entanto, há mais cumplicidade do que projeções.
O segundo é Filos, representado pelas crianças, amor não possessivo, em que já não existem projeções, atração sexual nem necessidade de preencher carências. Está mais próximo da amizade, da fraternidade e da cumplicidade desinteressada. “Faz-me feliz ver você feliz” seria uma expressão “filárquica”.
O terceiro, e mais elevado, é o Ágape, a comunhão universal, o amor que emana em todas as direções sem distinção. É mais próximo da compaixão budista, e está além das palavras. Na carta, está representado pelo Ermitão.
Perceber que o homem e a mulher de nossa vida estão dentro e não fora, que são nossas polaridades internas, muda a maneira de nos relacionar. Saímos de relações de dependência, de me dá isto que eu te dou aquilo, de pechincha, de querer que o outro se ajuste ao que esperamos, de jogos de poder e desde nosso centro nos relacionamos com as pessoas compartilhando aquilo que se sintoniza conosco. A partir daí podemos ver claramente qual é o caminho de vida em que somos realmente fiéis a nós mesmos.
Não se trata, pois, de eleger entre elementos externos, se trata de optar por si mesmo, de viver a união consigo mesmo, essa é a verdadeira escolha, a que leva à integração do consciente com o inconsciente. Como diria dom Juan o mestre de Castanheda: “Há um caminho que tem coração, os outros não levam a lugar nenhum”.
Mais informação sobre os Amantes no https://youtu.be/kW35414xjZo e neste extrato de meu livro Formação em Tarot Terapêutico – Volume 1 – Arcanos Maiores:

A TORRE COMO DESAFIO
A pessoa com a Torre como Desafio de vida tem dificuldade para libertar-se de suas prisões, isto é, de todo o que a sufoca e limita. Essas prisões podem ser externas: vínculos profissionais, familiares, amistosos, amorosos, exigências financeiras ou dificuldades para sair de sua cidade ou país natal e/ou internas: identificações do tipo: “Eu sou assim e tenho que me comportar deste jeito e tudo aquilo que não case com esse eu sou assim não deixo expressar-se”. Essa camisa de força é o ego, construído basicamente por uma coletânea de identificações, com forte carga emocional: Eu sou carioca, doutor, do Vasco, esposa de…, proprietária de…, que passa as férias em Paris, etc. O Ego é como o Serviço de Limpeza Urbano, tudo o que pega vira lixo. Mas não é só aquilo que leva a sentir-se glorioso, o ego também pode se inflar com identificações menos glamorosas: o doente, o sacrificado, quem paga o pato, o fora da lei, o incompreendido, etc.
Sua insegurança a leva a entrincheirar-se, inicialmente na casa de seus pais, onde se sente sufocada e reprimida e com muita dificuldade de ser ela mesma. Fica lá muitos anos e só sai quando consegue uma outra prisão alternativa, por exemplo, um casamento que lhe dê segurança. Lá vai ficar um tempo sentindo-se cada vez mais limitada até que consegue um emprego seguro. Sua vida pode ser lida como o passo por diferentes prisões, desde a de segurança máxima até uma tornozeleira eletrônica. Fica se debatendo entre a insegurança que a leva a permanecer na prisão e o sufoco que ela produz. Romper suas amarras, chutar o pau da barraca, tarefa que em vidas passadas ficou pendente, é seu Desafio.
Essas identificações internas podem fazer com que a pessoa se enverede por caminhos que nada tem a ver com sua natureza, aumentando suas tensões.
Vai atrair situações que colocam em evidencia essas prisões externas, agudizando sua sensação de opressão e situações em que não consegue mais manter suas prisões internas: aquela fachada, aquele ego. Pode chegar num limite de tensão em que ou dinamita as prisões ou denota seu corpo físico.
Se for o desafio do ano, nesse ano vai atrair situações que vão favorecer uma grande libertação, eliminando todo aquilo que a oprime e sufoca. É interessante que observe como aconteceu esse processo 9 e 18 anos atrás quando a Torre também foi seu desafio.
Mais informação da Torre como Desafio neste vídeo: https://youtu.be/wUX70GcnWNo e neste capítulo de meu livro Formação em Tarot Terapêutico – Volume 3 – TAROT E NUMEROLOGIA : https://tarotterapeutico.info/3d-flip-book/extrato-v3/