FORMAÇÃO EM TAROT TERAPÉUTICO

VOLUME 1 – Arcanos MaIores

 

extracto

 ME INTERESSA

A Leitura Terapêutica

Esta é uma ressignificação terapêutica que desenvolvi a partir da tradicional Cruz Céltica, um sistema baseado em uma disposição de dez cartas (11 com a carta testemunha), como vemos na Fig.IV,03, sendo que o número inscrito em cada carta indica a ordem que foi tirada do baralho. Vejamos cada uma das dez posições:

Momento atual (1 e 2): Aqui temos as posições 1 e 2. Tradicionalmente, essas cartas são chamadas de “Cruz Dinâmica”, um par de forças cuja resultante dinamiza a vida da pessoa. Elas mostram o momento que a pessoa está vivendo, e/ou a atmosfera atual. Na Leitura Terapêutica, na qual o que interessa são as questões internas, vemos com que impulsos internos a pessoa está fazendo contato neste momento, seus conflitos internos e questionamentos, as fichas que estão caindo, o assunto ou tema interno que está aflorando à superfície ou a manifestação da Âncora no Momento Atual.

 Às vezes, uma das cartas nos mostra o gancho com a Âncora e a outra identifica uma tendência ou atitude de libertação. Às vezes, podemos ver na segunda carta os efeitos da primeira, algo que talvez não tenha manifestado ainda, mas que já está incubado.

Âncora (4): Tradicionalmente revela o passado, mostrando situações, fatos ou atitudes que de alguma maneira influenciam o momento presente, mostrando as bases do assunto, ou da situação atual em um momento distante. Na Leitura Terapêutica é a “Âncora”, pois, assim como uma âncora, prende o barco ao escuro fundo do mar e não lhe deixa zarpar até que seja levantada. Nela estudamos o aspecto mais sombrio da personalidade do consulente, aquele conjunto de traços psíquicos que o acorrentam à sua programação, isto é, ao seu passado, e que constitui um nó a ser desfeito para que a pessoa se transforme, cresça e amadureça. Geralmente, essa âncora está no inconsciente e, como um iceberg, só é visível uma pequena parte. Esse conjunto de traços pode se cristalizar em uma máscara com que a pessoa se fantasia e se esconde para não encarar a realidade nem a si mesma. Essa posição é um dos eixos principais da leitura. Podemos dizer que mostra o obstáculo fundamental que deve e pode ser superado, para poder avançar no caminho da realização pessoal.

Geralmente esta carta tem duas leituras: por excesso e por falta. Como vamos saber qual é a opção mais adequada? Para as Figuras da Corte e os Arcanos Menores a presença ou falta de elementos (Fogo, Água, Ar e Terra) no mapa astrológico da pessoa nos ajudará muito. Em todos os casos as cartas da Infância e a Voz da Essência serão indicadores importantes. Quando não conseguimos decidirmos por uma opção determinada, sempre podemos perguntar ao consultante: Esta carta pode interpretar-se assim ou assado. Qual bate mais? Em 90% dos casos a pessoa vai dizer as duas. Por isso estávamos em dúvida. No entanto as cartas “sombrias” que identificam um mecanismo neurótico só tem una: por excesso, pois a falta de um mecanismo neurótico nunca será um padrão de comportamento que impede o crescimento. Alguns tarólogos consideram estas cartas como ruins dentro da velha visão de dividir tudo em bom ou mau. Na visão terapêutica não existem cartas boas e más. A aparição de uma carta “sombria” (e se tem sombra é que tem luz em algum lugar) é o primeiro passo para entender e desativar o mecanismo neurótico que a carta ilustra.

Voz da Essência (7): Tradicionalmente é a carta do carisma (algo profundo e inerente ao ser). Na Leitura Terapêutica, veremos quais são as necessidades mais importantes e urgentes do Ser interno, a voz da essência, seu grito de socorro, pedindo atitudes coerentes com sua realidade interior, saúde e bem-estar. Os Arcanos Maiores nesta posição indicam que arquétipo o Principio Universal necessita deixar de projetar, resgatar, desenvolver e integrar.

Infância (9): Segundo a tradição vemos aqui as emoções mais íntimas, os medos, as esperanças, os sentimentos e desejos ocultos do consulente. Alguns autores estudam aqui os fatores inconscientes que influenciam o consulente no momento presente. Como esses fatores são fundamentalmente a programação infantil, que desde o inconsciente continua nos manipulando, na Leitura Terapêutica veremos nessa posição a infância. Na infância estão as origens da âncora. Mesmo em uma infância que podemos considerar feliz, existiu algum tipo de programação, e aí está o foco para o qual aponta a carta. Veremos aqui: a) Os aspectos e talentos que a criança teve que reprimir e os padrões de comportamento que teve de adotar para ser aceita. b) Os pais e o ambiente familiar.

Se aparece uma Figura da Corte com Ar (Espadas e Príncipes) se referira mais aos pais que ao aspecto que foi reprimido ou estimulado. As considerações que vimos na Âncora para identificar a opção a ser escolhida também funcionam aqui. As cartas sombrias mostram mecanismos neuróticos inoculados pela família.

Relacionamentos (8): Faz referência aos relacionamentos e informa de: a) As atitudes ou compreensões internas que são estimuladas, de una maneira agradável o não, pelo relacionamento atual ou anteriores. b) A imagem que o consulente vende no mercado dos relacionamentos amorosos para tentar satisfazer suas necessidades de carinho, atenção e sexo, se expondo o menos possível. Esta imagem pode mostrar a manifestação da Âncora no mundo dos relacionamentos amorosos. c) O que a pessoa espera de um relacionamento amoroso. Com esta posição completamos as cartas do diagnóstico.

Método (5): Na Cruz Celta tradicional temos aqui a base da questão levantada pelo consulente. Na Leitura Terapêutica mostra o método de trabalho a seguir, as atitudes a tomar ou deixar de tomar para desativar os bloqueios da âncora, satisfazer a demanda da essência, e fortalecer e desenvolver a própria individualidade. É óbvio que, se a pessoa não fizer nada, a Âncora ficará mais forte, no entanto isso não deve ser usado como uma ameaça.

   Como as interpretações das cartas são muito parecidas na Voz da Essência e no Método, estudaremos os significados de cada carta em ambas posiciones juntas.

¡Cuidado! Nestas posições nunca diremos que a pessoa tem que SER isto ou aquilo. É anti-terapêutico falar: você tem que ser mais amorosa, mais tolerante, mais simpática ou menos briguenta, ciumenta ou impulsiva. Pois se ela tenta fazer isso “na marra” em primeiro lugar será mais uma máscara e em segundo lugar está criando e reforçando justamente a qualidade oposta, segundo a lei do pêndulo. Se reprime um determinado aspecto seu, este vai para a sombra e desde ali manipula à pessoa continuamente e talvez um dia explode. Terapêutico, seria pedir-lhe que identifique e trabalhe as dificuldades internas que não lhe permitem ser amorosa, tolerante, etc. que identifique porque determinadas situações ou pessoas a levam a brigar, a ter crises de ciúmes ou a explodir. Terapêutico é identificar e desativar as causas de determinadas condutas e não fazer um esforço para desenvolver uma conduta que pareça mais adequada.

Também não podemos colocar o Método como uma ordem, pois nosso consulente pode sair do consultório falando: “Vou fazer isto porque o tarólogo mandou” acabando com a qualidade terapêutica da consulta cujo primeiro requisito é responsabilizar ao consulente pela sua vida e suas decisões. Este precisa entender, que em função do que foi dito no diagnóstico, é necessário fazer ou deixar de fazer o que o Método sugere.

Caminho de crescimento (6): Conhecida tradicionalmente como a carta do futuro aqui é o “Caminho de crescimento”, é o caminho que hoje está detrás da porta que o consulente abre com as chaves que apareceram nas posições anteriores, especialmente entendendo a Âncora e fazendo alguma coisa concreta na direção mostrada pelas cartas do Método e da Voz da Essência. E falo “hoje” porque se a pessoa espera meses para começara trabalhar-se não está garantido que o que apareceu no Caminho de Crescimento fique esperando. Em nenhuma hipótese, leremos essa carta como o que inexoravelmente cai de paraquedas na vida do consulente. É importante fazer o consulente compreender que seu destino esteve, está e estará em suas mãos e que, com atenção, intenção e conexão consigo mesmo, ele pode mudar sua vida. As cartas comuns indicam que a pessoa está começando a desenvolver as qualidades de dita carta e as sombrias que o consulente está tomando consciência do padrão neurótico que essas cartas mostram e começando a mudar.

Resultado interno (3): Chamada “Coroa” na Cruz Céltica, indica o mais sublime e elevado estágio que o consulente pode atingir. Como isso está no lado interno, preferi chamá-la de “Resultado interno”. Aqui vemos com as cartas comuns as qualidades ou potenciais que foram resgatados e com as sombrias os mecanismos neuróticos que foram dissolvidos. Embora, às vezes eu use nesta posição o verbo no presente ou no passado, estamos falando do futuro.

Resultado externo (10): O que é o Resultado Final na Cruz Céltica aqui é o “Resultado Externo”: a atitude interna do consulente diante do mundo. Cartas sombrias indicam que o consultante pode atrair uma situação externa que o leva a ter que encarar o padrão neurótico indicado pela carta e lhe dá a chance de libertar-se dele. Aqui podemos fazer um “truque”: colocamos a carta no Método para que a pessoa comece a trabalhar esse padrão neurótico desde já de maneira que quando chegue a situação esteja mais preparada para tirar proveito dela.

 ME INTERESSA

Algumas frases feitas que podem ajudar na hora de interpretar:

Momento Atual: Você sente o impulso interno de...; Você está se questionando…; Está tomando consciência de…; Sua atenção está dirigida para...

Âncora: A dificuldade interna que impede seu crescimento e que você deve e pode eliminar é...

Infância: Para ser aceitada você teve que...; Você teve que se adaptar a um ambiente de...

Relacionamentos: a) Este relacionamento ajuda você a perceber…; b) A imagem que você tenta passar nos seus relacionamentos amorosos é...

Voz da Essência: Sua essência está pedindo que você perceba..., que você trabalhe tal padrão...; que desenvolva tal atitude...

Método: O Tarot sugere fazer..., deixar de fazer..., tomar tal atitude..., perceber...

Caminho de Crescimento: Como consequência de usar as chaves que apareceram nas posições anteriores você começa a ...

Resultado Interno: Você identificou, entendeu e desativou as dificuldades internas para...

Resultado Externo: Você encara o mundo com a atitude interna de...; Você atrai uma situação externa que o obriga a encarar e dá chance de resolver...

As cartas não devem ser lidas na ordem em que foram colocadas sobre o pano. Operaremos assim: Com as dez cartas em suas respectivas posições, levantaremos as do diagnóstico, isto é, as da Voz da Essência, Âncora, Momento atual, Infância e Relacionamentos, nesta ordem para que o primeiro contato seja com a essência do consultante. As colocamos sempre direitas, sem se importar com o fato de que algumas aparecerão invertidas. A interpretação de cada carta dependerá de sua posição e da atmosfera criada pelas outras cartas.

É importante ver as cartas como um todo, buscando uma complementação dentro de uma unidade harmônica que faça sentido, isto é, só vamos iniciar a interpretação quando todas as cartas do diagnóstico ficarem à vista. Começaremos a ler por onde fique mais claro, geralmente pela Voz da Essência e depois vamos desenrolando o fio da meada. Podemos tirar segundas cartas para as posições abertas, de preferência Voz da Essência e Âncora, colocando a mão esquerda sobre o baralho e pedimos mentalmente três vezes a carta que desejamos para complementar ou ampliar a leitura. Por exemplo: “Quero mais uma carta para a Âncora”. Cortamos, sacamos a carta e deixamos o maço como estava.

Feito o diagnóstico, levantamos o resto das cartas e interpretamos a carta da posição do Método, depois leremos o Caminho de Crescimento e finalmente os Resultados Interno e Externo.

Podemos sacar mais cartas para estas posições, por exemplo, três para o Caminho de Crescimento, em cujo caso as pedimos e sacamos juntas obtendo assim uma visão mais exata da evolução do quadro da pessoa.

Se tivermos uma grande maioria de Paus, podemos pensar que toda a história gira mais em cima de questões profissionais; se é de Copas, serão as questões emocionais as que precisam ser trabalhadas; se são as Espadas, o crescimento passa por desativar certos mecanismos e crenças mentais e se for de Discos (Ouros - Pentagramas) é o corpo físico e as questões financeiras quem pede atenção.

 Quando temos muitos Arcanos Maiores, isto é, mais de 8 com 20 cartas na mesa, todos os planos vão ficar envolvidos.

Não acho conveniente ter mais de 20 cartas sobre a mesa. Boa informação não significa muita informação, mas aquela que pode ser bem usada.

Concluída a leitura preguntaremos a nosso consultante se tem alguma pergunta ou comentário. Em 99,90 dos casos não tem perguntas e em muitos casos responde que as perguntas que trazia já foram respondidas.

Quem se interessa numa consulta de Tarot Terapêutico não traz perguntas do tipo Fulano, me ama?; Vou a ser feliz com Beltrano?; ¿Vai aparecer minha alma gêmea?; ¿Vou passar no vestibular?; ¿Como vai rolar este emprego? etc. mas com questões como:

O que tenho que entender y que mudanças internas preciso fazer para:

relacionar-me de um jeito mais fluido, prazeroso e nutritivo?

crescer profissionalmente?

sentir-me melhor?

melhorar minhas finanças?

Sendo estas questões centrais na vida da pessoa são respondidas pela Leitura Terapêutica sem necessidade de ser formuladas.

Caso aparte são as mães que perguntam sobre seus filhos adolescentes. Podemos tirar três cartas. Uma que mostra como está a criança, outra que indica o que ela no fundo quer e uma terceira que sugere uma determinada atitude ou ação da mãe, isto é, Momento Atual, Método e Caminho de Crescimento.

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