FORMAÇÃO EM TAROT TERAPÉUTICO

VOLUME 2 – Arcanos MENores

 

extracto

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Capítulo I

As Figuras da Corte


Os 16 Tipos de Personalidade

 

As Figuras da Corte, tradicionalmente consideradas Arcanos Menores, são na verdade uma ponte entre os Arcanos Maiores e os Menores. No primeiro capítulo dissemos que os Arcanos Maiores são expressões de energias que atuam em um nível Macrocósmico ou, em outras palavras, são ilustrações simbólicas de arquétipos ou princípios universais. Os Arcanos Menores representam aspectos limitados ao Microcosmos, isto é, relativos ao ser humano. A esfera de influência das Figuras da Corte é mais ampla que a dos Arcanos Menores, já que, como veremos, se referem também a fenômenos da Natureza, como a chuva, as erupções vulcânicas ou o vento.

 

Configuração Matriarcal e Patriarcal

Na maioria dos Tarots, as Figuras da Corte estão dispostas em uma configuração patriarcal, sendo a figura principal o Rei, ao redor do qual as outras cartas se articulam: sua esposa, a Rainha, seu filho e herdeiro, o Cavaleiro e o Valete. No Tarot de Crowley, de caráter matriarcal, a figura central é a Rainha, dona do trono e da terra, e sua filha, a Princesa, é a herdeira. O Cavaleiro é o esposo da Rainha, aquele que demonstrou, em torneios, ser o mais capaz de defender o reino. Em cerimônias mais íntimas, com as sacerdotisas, devia também mostrar sua virilidade para cumprir sua segunda função: dar uma herdeira ao reino. Quando a Princesa herdeira casa, passa a ser Rainha, e o Cavaleiro se torna Rei. Segundo as lendas mais antigas, este teria que matar seu sogro, o velho Rei, com suas próprias mãos, como uma prova adicional de suas capacidades. “Que será do gamo rei quando o jovem gamo crescer? ” As Brumas de Avalon — Marion Zimmer Bradley. Essa morte foi se tornando cada vez mais simbólica, sendo suficiente que o velho Rei, muitas vezes acompanhado de sua esposa, abandonasse suas funções, retirando-se do castelo.

Vejamos as correspondências entre as Figuras da Corte de diferentes Tarots:

Crowley

Marselha

Waite

Cosmic

Experimental

Osho Zen

Cavaleiro

Rei

Rei

Rei

Pai

Rei

Rainha

Rainha

Rainha

Rainha

Mãe

Rainha

Príncipe

Cavaleiro

Cavaleiro

Príncipe

Filho

Cavaleiro

Princesa

Valete

Pajem

Princesa

Filha

Pajem


As Figuras da Corte e os Quatro Elementos

Natureza Interna e Expressão Externa

As dezesseis figuras resultam das combinações dos quatro elementos: Fogo, Água, Ar e Terra, consigo mesmos e com os três restantes. Relacionando os quatro elementos com as quatro séries ou naipes, as quatro figuras e os aspectos da quaternidade humana, conforme a tabela a seguir:

FOGO

Paus

Energia

Cavaleiros

ÁGUA

Copas

Emoção

Rainhas

AR

Espadas

Intelecto

Príncipes

TERRA

Discos

Corpo físico

Princesas

Chegamos à seguinte relação entre os elementos e cada uma das 16 figuras:

 

PAUS

COPAS

ESPADAS

DISCOS

Cavaleiro

Duas vezes Fogo

Aspecto fogoso da Água

Aspecto fogoso do Ar

Aspecto fogoso da Terra

Rainha

Aspecto aquoso do Fogo

Duas vezes Água

Aspecto aquoso do Ar

Aspecto aquoso da Terra

Príncipe

Aspecto aéreo do Fogo

Aspecto aéreo da Água

Duas vezes Ar

Aspecto aéreo da Terra

Princesa

Aspecto térreo do Fogo

Aspecto térreo da Água

Aspecto térreo do Ar

Duas vezes Terra

Em um plano humano, são dezesseis tipos de personalidade e seus desdobramentos em atitudes, qualidades humanas e aspectos comportamentais. Cada figura da corte ou personalidade está formada pela combinação de dois elementos. Podemos considerar cada tipo de personalidade formada por um aspecto mais profundo ou essencial, o qual podemos chamar de Natureza Interna, e um aspecto externo, o qual chamamos de Expressão Externa. A Natureza Interna é determinada pelo naipe, isto é, a família, se é de Paus, Copas, Espadas ou Discos. A Expressão Externa é definida pela figura, isto é, pela função, se é um Cavaleiro, Rainha, Príncipe ou Princesa. Por exemplo, o Cavaleiro de Copas (como toda a família de Copas) possui uma Natureza Interna emocional, e sua Expressão Externa será fogosa como a de todo os cavaleiros.

A FAMÍLIA DE PAUS – NATUREZA INTERNA FOGOSA.

São instintivos, dinâmicos, valentes e idealistas, lutadores, impulsivos, autocentrados e determinados.

A FAMÍLIA DE COPAS – NATUREZA INTERNA AQUOSA.

São emocionais, receptivos e sensíveis.

A FAMÍLIA DE ESPADAS – NATUREZA INTERNA AÉREA.

São mentais, interessados na elucubração mental, ideias, teorias e conhecimentos. Guardam certa distância de pessoas e dos acontecimentos.

A FAMÍLIA DE DISCOS – NATUREZA INTERNA TÉRREA.

Conectados com o corpo físico e o mundo material. São práticos e realizadores, interessados em resultados concretos.

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OS CAVALEIROS — EXPRESSÃO FOGOSA

Encarnam o aspecto fogoso da série a que pertencem. Por exemplo, o Cavaleiro de Copas representa o aspecto fogoso da Água. Correspondem-se com a letra Iod do Tetragramaton que, como vimos, representa o Princípio Ativo, dinâmico ou masculino. As ações dos Cavaleiros são sempre rápidas, impulsivas, às vezes violentas e geralmente efêmeras. O fato de estar a cavalo ressalta tanto a rapidez de seus movimentos como mostra a força propulsora que é de origem animal, instintiva, o que se aplica ao Fogo. Podemos dizer que esses são os ativistas e aventureiros da família. Não em vão, deixaram as comodidades dos reinos dos quais eram príncipes para conquistarem a mão de princesas e transformarem-se em seus consortes; elas viram Rainhas, e eles, reis. Tomam iniciativas a partir de sua Natureza Interna: o de Paus a partir de seus instintos; o de Copas, de suas emoções; o de Espadas, de sua mente; e o de Discos, de sua conexão com seu corpo físico e o mundo material. Quem usar outro baralho além do de Crowley, poderá aplicar tudo o relacionado aos Cavaleiros para os Reis.

AS RAINHAS — EXPRESSÃO EMOCIONAL

São as donas soberanas da terra e do trono. São as companheiras dos Cavaleiros e com eles se complementam. Correspondem-se com a primeira He do Tetragramaton, representando assim o princípio passivo, receptivo, conservador e feminino do Universo. Expressam-se emocionalmente a partir do elemento que define sua Natureza Interna. Encarnam o aspecto aquoso da série correspondente. Por exemplo, a Rainha de Discos representará o aspecto aquoso da Terra. Sendo o elemento Água representante do aspecto emocional do ser humano, diremos que as rainhas são as sentimentais da família.

 “Recebem, promovem e transmitem o impulso inicial de seus Cavaleiros, realizando o segundo nível do processo de criação.”  

                                                                 O Livro de Thoth — Aleister Crowley.

As rainhas de Crowley correspondem-se com as rainhas de outros baralhos.

 OS PRÍNCIPES — EXPRESSÃO MENTAL

São os filhos homens das Rainhas. Estão retratados em um carro em que transportam as energias combinadas de seus pais. É a saída ativa da união dos Princípios Masculino e Feminino, enquanto a Princesa é a saída receptiva. Representam o poder da letra Vau no Tetragramaton, sínteses e fruto de Iod e He. Encarnam a parte aérea da série à qual pertencem, por exemplo, o Príncipe de Copas representa o aspecto aéreo da Água. Sendo a mente o aspecto humano relacionado com o Ar, diremos que os Príncipes são os intelectuais da família. Suas ações são mais duradouras que as dos Cavaleiros. Suas funções são as de “conceituar e divulgar aquilo que estava oculto”, disse Crowley. Elaboram e expressam ideias, e apresentam projetos cada um a partir de sua Natureza interna. Os Príncipes são o aspecto aéreo da Existência e representam quatro manifestações diferentes da expressão mental. Eles se correspondem com os Cavaleiros dos baralhos patriarcais.

 AS PRINCESAS – EXPRESSÃO PRÁTICA

As filhas das Rainhas correspondem-se com a segunda He. Elas levam o impulso original até sua cristalização final e, reabsorvendo o fluxo de energia, levam-no ao silêncio original, ao início de um novo ciclo. Encarnam, pois, o lado térreo da série correspondente. Assim, a Princesa de Copas representará o lado mais sólido da Água. São as mais práticas e materialistas de suas respectivas famílias. Materializam, constroem, levam para o mundo do concreto a sua Natureza interna. Correspondem-se com os Pajens ou Valetes dos outros baralhos.

Vejamos a Natureza Interna e Expressão Externa de cada uma das 16 figuras: 

 

CAVALEIRO

RAINHA

PRÍNCIPE

PRINCESA

de

Paus

Natureza e Expressão fogosas

Natureza fogosa e Expressão emocional

Natureza fogosa e Expressão mental

Natureza fogosa e Expressão prática

de Copas

Natureza emocional e Expressão fogosa

Natureza e Expressão emocionáis

Natureza mental e Expressão emocional

Natureza emocional e Expressão prática

de Espadas

Natureza mental e Expressão fogosa

Natureza emocional e Expressão mental

Natureza e Expressão mentais

Natureza mental e Expressão prática

de Discos

Natureza prática e Expressão fogosa

Natureza prática e Expressão emocional

Natureza prática e Expressão mental

Natureza e Expressão práticas

Com esse quadro, podemos decifrar as dificuldades de cada personalidade em função dos elementos que lhe faltam. Por exemplo, o Príncipe de Discos (aspecto aéreo da Terra ou Natureza prática e Expressão mental) carecerá de emoções e impulsos instintivos fortes, pois faltam em sua composição Água e Fogo.

O predomínio de um determinado elemento no mapa natal de uma pessoa favorece notavelmente uma determinada personalidade. Assim, o Fogo acentua tendências impulsivas, a Água favorece o predomínio da emoção, o Ar predispõe para o intelectualismo e a Terra desenvolve personalidades práticas e materialistas.

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Seis de Copas — O Prazer

 

A imagem mostra os talos dos lótus movendo-se graciosamente em uma dança sensual e harmoniosa. De suas flores brota a água cristalina, que enche seis copas douradas que não se derrama, mas é canalizada pelos próprios talos do lótus, indicando que não existe excesso nem desperdício, mas retroalimentação. As ondulações do mar verde (cor da cura) são simétricas. Depois das transformações do Cinco, é possível o equilíbrio no Seis.

Tem uma dupla relação com o Sol, planeta que governa Tiphareth e o segundo decanato de Escorpião. O Sol: a consciência e a energia iluminam a sexualidade e a tendência à transformação do Escorpião, resultando no incremento da corrente vital, da saúde psicofísica, do entusiasmo, da criatividade e do prazer. Esta carta e suas atribuições nos levam a pensar no uso mais consciente da energia sexual, em sua canalização ascendente, conhecida na Índia como tantrismo e na China, como taoísmo sexual.

Se corresponde com aspecto aquoso de Tiphareth (tiférret), que é Kether, num arco inferior, e Yesod, em um arco superior. Estando na coluna central, é um ponto de transmutação entre a forma e a força.

O Seis de Copas é a manifestação mais equilibrada, bela e perfeita da emoção. Seu título é “O Prazer”. O prazer mais verdadeiro produto da harmonia das forças naturais que, expressando-se criativamente desde o interior do ser, levam à paz, ao bem-estar, à gratificação profunda e à elevação espiritual.

Não é o prazer que vem de fora, senão do que vem de dentro quando expressamos nosso Sol: 1º sendo autênticos e verdadeiros com nós mesmos; 2º expressando nossos talentos, especialmente a criatividade e 3º vivendo nossa sexualidade de uma maneira consciente e amorosa. Poderíamos chamá-lo também “Alegria”, como disse Eckart Tolle. Seria o estado natural do ser: o prazer classe A.  O Nove de Copas, ilustra o prazer que vem de fora, o prazer classe B, ou a capacidade de desfrutar das coisas boas que nos oferece a vida. Finalmente o Sete de Copas mostra o prazer classe C, que é o pseudo-prazer degradante das compensações.

Para alguns autores, como A. E. Waite ou S. Kaplan, esta carta representa o ilusório, as influências do passado que aniquilam a objetividade. Estranhos significados para o aspecto aquoso da esfera mais equilibrada da Árvore. E para um seis também símbolo do equilíbrio.

NA LEITURA TERAPÊUTICA

Momento atual: A pessoa percebe que falta prazer, alegria e satisfação em sua vida e está se questionando o que poderia fazer para ter uma vida mais plena, alegre e com maior significado e gratificação, incluindo uma sexualidade de maior qualidade, com mais consciência, amor e plenitude. Pode inclusive estar percebendo que não está sendo suficientemente autêntica e verdadeira consigo mesma.

Âncora: Lemos por excesso se a pessoa tem muita agua na sua carta astral. Como todos os Seis nesta posição, temos aqui uma fachada. Se exige manter em pé uma máscara de alegre e divertida que irradia prazer continuamente. Acentua artificialmente a expressão de sua sensualidade e gaba de ter uma vida sexual maravilhosa. Em palavras de Alexander Lowen: “O importante para ele é divertir-se ou parecer que está se divertindo, ou pelo menos fazer com que os outros pensem que está se divertindo”.

Claro que enquanto finge esse falso estado interno, se desconecta completamente de si mesma. É sedutor/a e adora contar para seus amigos/as os detalhes de suas conquistas. Não gostam de responsabilidades nem de compromissos, pois chocam com sua atitude sedutora. A essência de Agrimony lhe ajudará a reconhecer suas mágoas e frustrações para trabalhá-las honestamente.

Por falta indica que a pessoa tem crenças muito bem enraizadas relacionadas com a negação do prazer. “Não mereço me envolver com atividades que me dê prazer”. “O prazer é pecado, especialmente o prazer sexual”. “Se tenho prazer depois vou ser castigada e sofrer”. A essência de Borage* estimula a coragem e o bom humor procedente do fundo do coração

Infância: O verdadeiro prazer que a criança tem quando faz o que quer e além do mais conta com o apoio de seus pais foi restringido. Pode ser que ninguém na família se permitisse ter esse tipo de prazer como vemos na Âncora por falta.

Relacionamentos: a) O relacionamento está ajudando a pessoa a ser mais autêntica e verdadeira consigo mesma e isso faz com que ela se conecte com suas fontes internas de prazer. Favorecendo também uma vida sexual mais consciente, plena e amorosa, não apenas como uma descarga de tensões ou uma maneira de tentar controlar o parceiro/a, senão como uma comunhão erótica. b) Vende a imagem de quem sente prazer o tempo todo, que se diverte o tempo todo e que se fica com ela vai ter prazer e diversão. É a máscara que vimos na Âncora por excesso, aparentemente alegre e divertida com uma forte conotação sexual. Sendo um homem promete mais ou menos explicitamente os maiores picos de prazer: “Vem comigo morena que vai saber o que são os orgasmos múltiplos”.  Provavelmente, tem dificuldade para assumir compromissos e responsabilidades. Prefere a amizade colorida. Esse comportamento infantil pode amadurecer usando a essência de Fairy Lantern*.

Voz da Essência e Método: A pessoa não tem o verdadeiro prazer e, provavelmente, isso acontece faz tempo. Não é comprando compensações, procurando diversões ou distrações que vai recuperá-lo. Para acessar esse prazer e alegria interior primeiro necessita identificar, entender e desativar as crenças que condenam o prazer. Também as crenças e padrões de conduta que lhe dificultam: a) ser ela mesma, b) optar por atividades onde possa expressar seus talentos c) viver sua sexualidade plena, amorosa e conscientemente. Esse prazer que deveria ser o estado natural do ser humano é uma sensação corporal conectada a um fluxo emocional que vai de dentro para fora, não é algo que nos dão, nem que podemos comprar, cuja manifestação pode estar impedida por tensões psicofísicas. Exercícios corporais de Análise Bioenergética ajudarão a dissolver essas tensões. Sempre que trabalhamos qualquer questão só através da compreensão senão também através do corpo obteremos melhores resultados.

A essência de Zinnia* que favorece a jovialidade, ajudando a vivenciar a alegre criança interior pode ajudar. A de Black-Eyed Susan* ajuda a reconhecer e integrar aspectos traumáticos e dolorosos do passado que podem estar bloqueando aceder o verdadeiro prazer.

 

“Simplesmente faça aquilo que lhe dê prazer (prazer a você e a seu ambiente). Simplesmente crie um ritmo de celebração a seu redor. Esta vida, eu chamo de vida religiosa.”                                                                                          Osho

 

Caminho de crescimento: Como consequência de usar as chaves fornecidas pelas cartas anteriores, a pessoa começa a ser mais ela mesma, a se atrever a optar por atividades onde pode expressar seus talentos e criatividade, melhora sua vida sexual de maneira que começa a viver a vida com mais prazer e gratificação.

Resultado interno: Esta pessoa conseguiu identificar, entender e desativar as dificuldades internas que tinha para sentir alegria. Optou por atividades que lhe dão prazer e desbloqueou os canais de expressão desse prazer. Não somente sente prazer senão que vive no prazer. Resolveu seus conflitos emocionais. Sente-se integrada, equilibrada, bonita e sensual, podendo admirar a harmonia, a beleza e a sensualidade do mundo que a rodeia. Irradia paz, beleza e uma grande satisfação interna. É balsâmica e nutritiva com seu entorno.

Resultado externo: Vive com prazer e criatividade, especialmente seus lados emocional e sexual, que, junto com sua sensualidade, estão em alta. Delicia-se com suas atividades e com seus frutos.

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